Os mercados de açúcar exibiram sinais conflitantes hoje, com os futuros de Nova Iorque a subir 0,59% enquanto o açúcar branco de Londres caiu 0,28%. A divergência reflete tensões mais amplas entre o impulso de produção e as preocupações com a capacidade de exportação em regiões produtoras importantes.
A contração da produção no Brasil surge como um fator-chave para o preço
Os movimentos recentes do mercado apoiam-se em projeções de queda na produção de açúcar brasileira. A consultora Safras & Mercado prevê que a produção de açúcar do Brasil para a temporada 2026/27 contrair-se-á para 41,8 milhões de toneladas métricas (MMT), representando uma redução de 3,91% em relação às 43,5 MMT previstas para 2025/26. A firma também projeta que as exportações brasileiras encolherão aproximadamente 11% ano a ano, atingindo 30 MMT durante o mesmo período.
Este panorama de produção contrasta com o otimismo de curto prazo. A região Centro-Sul do Brasil, que responde pela maior parte da produção nacional, demonstrou resiliência nos primeiros meses da temporada. Até novembro, a produção acumulada na região atingiu 39,904 MMT para o ciclo 2025/26, marcando um aumento de 1,1% em relação ao ano anterior. Notavelmente, as usinas direcionaram uma proporção maior da cana triturada para a produção de açúcar em vez de etanol — a proporção de açúcar subiu para 51,12% em 2025/26, contra 48,34% no ano anterior.
A expansão da capacidade de produção na Índia pressiona o equilíbrio do mercado
A emergência da Índia como um exportador maior exerce pressão de baixa sobre os preços globais do açúcar. O ministério de alimentos do país sinalizou disposição para permitir quotas adicionais de exportação de açúcar além das 1,5 MMT aprovadas para a temporada 2025/26, para lidar com o excesso de oferta doméstico. Isso ocorre após a Associação de Usinas de Açúcar da Índia elevar sua estimativa de produção para 2025/26 para 31 MMT em novembro, um aumento de 18,8% em relação ao ano anterior, quando a previsão era de 30 MMT.
Dados de moagem do início da temporada reforçam o impulso de produção. As usinas indianas processaram 7,83 MMT de açúcar entre 1 de outubro e 15 de dezembro, representando um aumento de 28% em relação ao ano anterior. Simultaneamente, a ISMA reduziu sua previsão de consumo de etanol para 3,4 MMT, contra uma estimativa anterior de 5 MMT, potencialmente liberando volumes adicionais para os mercados de exportação. O resultado tende a favorecer condições de superávit, quando combinado com as tendências globais de oferta.
Estoques globais de açúcar e o ambiente de produção mais amplo
A Organização Internacional do Açúcar caracterizou a temporada 2025/26 como uma de oferta abundante, prevendo um excedente global de 1,625 MMT após o déficit de 2,916 MMT do ano anterior. A organização atribuiu essa mudança ao aumento da produção na Índia, Tailândia e Paquistão, projetando que a produção global de açúcar subirá 3,2% em relação ao ano anterior, atingindo 181,8 MMT.
Estimativas mais agressivas de superávit surgiram da trader Czarnikow, que elevou sua projeção para 2025/26 para 8,7 MMT — uma revisão para cima de 1,2 MMT em relação às previsões de setembro. O relatório de dezembro do USDA apresentou uma imagem de oferta ainda maior, prevendo que a produção global atingirá um recorde de 189,318 MMT (subindo 4,6% ao ano), contra o consumo estimado em 177,921 MMT. Os estoques finais globais de açúcar foram previstos para diminuir 2,9% ao ano, para 41,188 MMT, indicando oferta abundante apesar de leves reduções nos estoques.
Dinâmicas regionais de produção remodelam a estrutura do mercado
A Tailândia, terceiro maior produtor mundial e segundo maior exportador, projeta um aumento de 5% na produção, atingindo 10,5 MMT em 2025/26. O USDA prevê um aumento mais modesto de 2%, chegando a 10,25 MMT. Ao mesmo tempo, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA previu que a produção da Índia atingirá 35,25 MMT — um aumento de 25% ao ano, impulsionado por padrões favoráveis de monções e expansão de área plantada. A produção do Brasil foi projetada em um recorde de 44,7 MMT, representando um aumento anual de 2,3%.
Essas ondas de produção interligadas criam dinâmicas complexas para investidores em commodities que acompanham futuros de açúcar e participantes da cadeia de suprimentos. A interação entre a contração prevista do Brasil em 2026/27 e a expansão global de curto prazo sugere que os participantes do mercado permanecem cautelosos quanto à disponibilidade de oferta a longo prazo, mesmo enquanto as pressões de excesso de oferta de curto prazo atenuam o entusiasmo pelos preços nas sessões de negociação atuais.
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Perspetivas Globais de Oferta de Açúcar Sinalizam Dinâmicas de Mercado Mistas em Meio a Mudanças na Produção
Os mercados de açúcar exibiram sinais conflitantes hoje, com os futuros de Nova Iorque a subir 0,59% enquanto o açúcar branco de Londres caiu 0,28%. A divergência reflete tensões mais amplas entre o impulso de produção e as preocupações com a capacidade de exportação em regiões produtoras importantes.
A contração da produção no Brasil surge como um fator-chave para o preço
Os movimentos recentes do mercado apoiam-se em projeções de queda na produção de açúcar brasileira. A consultora Safras & Mercado prevê que a produção de açúcar do Brasil para a temporada 2026/27 contrair-se-á para 41,8 milhões de toneladas métricas (MMT), representando uma redução de 3,91% em relação às 43,5 MMT previstas para 2025/26. A firma também projeta que as exportações brasileiras encolherão aproximadamente 11% ano a ano, atingindo 30 MMT durante o mesmo período.
Este panorama de produção contrasta com o otimismo de curto prazo. A região Centro-Sul do Brasil, que responde pela maior parte da produção nacional, demonstrou resiliência nos primeiros meses da temporada. Até novembro, a produção acumulada na região atingiu 39,904 MMT para o ciclo 2025/26, marcando um aumento de 1,1% em relação ao ano anterior. Notavelmente, as usinas direcionaram uma proporção maior da cana triturada para a produção de açúcar em vez de etanol — a proporção de açúcar subiu para 51,12% em 2025/26, contra 48,34% no ano anterior.
A expansão da capacidade de produção na Índia pressiona o equilíbrio do mercado
A emergência da Índia como um exportador maior exerce pressão de baixa sobre os preços globais do açúcar. O ministério de alimentos do país sinalizou disposição para permitir quotas adicionais de exportação de açúcar além das 1,5 MMT aprovadas para a temporada 2025/26, para lidar com o excesso de oferta doméstico. Isso ocorre após a Associação de Usinas de Açúcar da Índia elevar sua estimativa de produção para 2025/26 para 31 MMT em novembro, um aumento de 18,8% em relação ao ano anterior, quando a previsão era de 30 MMT.
Dados de moagem do início da temporada reforçam o impulso de produção. As usinas indianas processaram 7,83 MMT de açúcar entre 1 de outubro e 15 de dezembro, representando um aumento de 28% em relação ao ano anterior. Simultaneamente, a ISMA reduziu sua previsão de consumo de etanol para 3,4 MMT, contra uma estimativa anterior de 5 MMT, potencialmente liberando volumes adicionais para os mercados de exportação. O resultado tende a favorecer condições de superávit, quando combinado com as tendências globais de oferta.
Estoques globais de açúcar e o ambiente de produção mais amplo
A Organização Internacional do Açúcar caracterizou a temporada 2025/26 como uma de oferta abundante, prevendo um excedente global de 1,625 MMT após o déficit de 2,916 MMT do ano anterior. A organização atribuiu essa mudança ao aumento da produção na Índia, Tailândia e Paquistão, projetando que a produção global de açúcar subirá 3,2% em relação ao ano anterior, atingindo 181,8 MMT.
Estimativas mais agressivas de superávit surgiram da trader Czarnikow, que elevou sua projeção para 2025/26 para 8,7 MMT — uma revisão para cima de 1,2 MMT em relação às previsões de setembro. O relatório de dezembro do USDA apresentou uma imagem de oferta ainda maior, prevendo que a produção global atingirá um recorde de 189,318 MMT (subindo 4,6% ao ano), contra o consumo estimado em 177,921 MMT. Os estoques finais globais de açúcar foram previstos para diminuir 2,9% ao ano, para 41,188 MMT, indicando oferta abundante apesar de leves reduções nos estoques.
Dinâmicas regionais de produção remodelam a estrutura do mercado
A Tailândia, terceiro maior produtor mundial e segundo maior exportador, projeta um aumento de 5% na produção, atingindo 10,5 MMT em 2025/26. O USDA prevê um aumento mais modesto de 2%, chegando a 10,25 MMT. Ao mesmo tempo, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA previu que a produção da Índia atingirá 35,25 MMT — um aumento de 25% ao ano, impulsionado por padrões favoráveis de monções e expansão de área plantada. A produção do Brasil foi projetada em um recorde de 44,7 MMT, representando um aumento anual de 2,3%.
Essas ondas de produção interligadas criam dinâmicas complexas para investidores em commodities que acompanham futuros de açúcar e participantes da cadeia de suprimentos. A interação entre a contração prevista do Brasil em 2026/27 e a expansão global de curto prazo sugere que os participantes do mercado permanecem cautelosos quanto à disponibilidade de oferta a longo prazo, mesmo enquanto as pressões de excesso de oferta de curto prazo atenuam o entusiasmo pelos preços nas sessões de negociação atuais.