Recentemente, ouço cada vez mais falar sobre o metaverso – e não apenas como um tema quente nos fóruns de criptomoedas, mas como uma revolução real que grandes gigantes tecnológicos aguardam. Quando Mark Zuckerberg anunciou a mudança do Facebook para Meta, e a Epic Games investiu um bilhão de dólares no desenvolvimento do Fortnite como parte deste mundo virtual, ficou claro: já não é mais apenas ficção científica.



Vamos começar pelos fundamentos. O metaverso é, na essência, um mundo paralelo criado através da Internet e de tecnologias de realidade estendida (VR, AR e outras). Ao contrário de jogos ou redes sociais comuns, aqui as pessoas podem interagir, criar e até ganhar dinheiro, quase sem limites. Se assistiu ao filme "Jogador Número Um" – essa é uma representação bastante precisa de para onde tudo está caminhando.

Curiosamente, a concepção de metaverso não é assim tão nova. O termo apareceu pela primeira vez na obra de ficção científica "Snow Crash" de Neal Stephenson, em 1992, onde descrevia um sistema que permitia às pessoas interagir através do ciberespaço. A palavra é composta por "meta" (além de) e "universo", ou seja, um mundo além da nossa realidade. É ótimo que a ideia tenha se formado há décadas, e hoje finalmente temos as tecnologias para realizá-la.

O que torna o metaverso tão atraente? Algumas características-chave. Primeiro, ele é permanente – existe 24/7 e está em constante evolução. Em segundo lugar, oferece uma experiência realista, que se aproxima ao máximo da realidade. Em terceiro, é totalmente aberto – você pode entrar ou sair a qualquer momento sem restrições. E, mais importante, possui seu próprio sistema econômico, paralelo ao real, onde você pode acumular ativos e até ganhar dinheiro.

A ecossistema do metaverso é construído em quatro níveis. O nível básico é a própria Internet como rede. Depois vem o nível de infraestrutura com hardware, blockchain, IA e Big Data. O terceiro é o nível de conteúdo com jogos e aplicações. E, por fim, quando tudo isso se desenvolver o suficiente, surgirá um metaverso verdadeiro, completo e funcional.

Hoje já existem projetos que demonstram esse potencial. Minecraft permite que os jogadores construam seus próprios mundos. GTA V tem modo multiplayer com economia real. Roblox até possibilita criar conteúdo com VR. No mercado de criptomoedas, temos Decentraland e The Sandbox – projetos onde as pessoas podem criar mundos, possuir ativos NFT e negociá-los. Mas, para ser honesto, as versões atuais ainda têm limitações sérias – a experiência não é tão autêntica, a interação entre plataformas é mínima, a criatividade é restrita.

Por que exatamente agora o metaverso se tornou tão popular? Acho que é uma combinação de fatores. As pessoas sempre sonharam em explorar o impossível, mas enfrentaram barreiras – financeiras, tecnológicas, de recursos. Agora, o metaverso oferece uma solução: você pode explorar o espaço, construir estruturas incríveis, viver uma vida diferente, sem sair de casa. Além disso, durante a pandemia, tornou-se um local ideal para interações à distância.

Quanto ao tamanho do mercado – são números impressionantes. Os ativos globais no final de 2020 atingiram US$ 418 trilhões. Mesmo que o metaverso capture uma pequena fração disso, estamos falando de somas enormes. Hoje, a infraestrutura de hardware (chips, dispositivos VR) é avaliada em cerca de US$ 862 bilhões, com crescimento anual de 9,4%. A parte de conteúdo – jogos, plataformas – vale aproximadamente US$ 170 bilhões. Mas isso é só o começo.

Agora, por que o blockchain é a chave para um verdadeiro metaverso? As plataformas atuais, como Google, Facebook, Fortnite, têm limitações sérias. Você não pode transferir ativos entre mundos, não possui propriedade real sobre seu conteúdo, tudo depende das decisões das empresas. O blockchain resolve isso. Tecnologias como Polkadot, Avalanche, Cosmos garantem escalabilidade. NFTs oferecem propriedade verdadeira. Soluções intercadeias permitem trocar ativos entre diferentes mundos. DeFi cria um sistema econômico flexível. É exatamente o que o metaverso precisa.

Para o desenvolvimento de um cripto-metaverso, é necessária uma combinação de três componentes. Primeiro – plataformas de blockchain otimizadas (Solana, NEAR, Flow, Theta). Segundo – aplicativos descentralizados para diferentes fins: plataformas de jogos, marketplaces de NFTs, serviços DeFi. Terceiro – pontes entre cadeias para interação entre ecossistemas. Ainda que todos esses elementos estejam em desenvolvimento, ainda não são perfeitos.

Do ponto de vista de investimento, há alguns caminhos. Plataformas de blockchain que suportam o metaverso – precisam ser rápidas, baratas e seguras. Aplicativos descentralizados, especialmente plataformas de jogos com mundos abertos. Marketplaces de NFTs e plataformas DeFi para transferência de ativos. Soluções intercadeias para conectar mundos diferentes.

Mas é importante entender: o metaverso ainda é uma concepção do futuro, não do presente. Dispositivos VR ainda são caros e pouco difundidos. A experiência que oferecem ainda não é totalmente convincente. O mercado de VR em 2021 foi de cerca de US$ 22 bilhões, mas espera-se que cresça para US$ 70 bilhões até 2028. Os projetos atuais, como Sandbox e Decentraland, ainda não são suficientemente atraentes em comparação com jogos tradicionais.

Por isso, minha opinião é a seguinte: ao invés de investir tudo em projetos atuais de metaverso, vale buscar oportunidades na infraestrutura e nas tecnologias que o suportarão. Quando gigantes como Meta, Microsoft, Google investirem seriamente em VR e no metaverso, será um sinal de que uma explosão real está próxima. Mas, por enquanto, ainda estamos na fase inicial. A verdadeira revolução do metaverso, apoiada pelo blockchain, acontecerá quando a infraestrutura e o conteúdo estiverem suficientemente desenvolvidos. São questões de anos, mas o potencial é realmente enorme.
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