A Perspetiva Audaz da Fidelity: Terá o Ciclo de Quatro Anos do Bitcoin Chegado ao Fim e Estará o Superciclo a Começar?

Markets
Atualizado: 2026-01-13 08:38

À medida que entramos em 2026, o preço do Bitcoin registou uma correção significativa, gerando inquietação em todo o mercado. No entanto, a Fidelity Investments apresentou uma perspetiva disruptiva no seu relatório "2026 Crypto Market Outlook":

O Bitcoin poderá ter iniciado um "superciclo", em que o tradicional padrão de expansão e retração de quatro anos poderá dar lugar a um mercado altista mais prolongado e estável.

01 Mudança de Paradigma

Em 2025, o setor das criptomoedas atingiu um ponto de viragem decisivo. Em março, o governo dos EUA emitiu uma ordem executiva que designou oficialmente o Bitcoin como ativo de reserva estratégica. Esta medida alterou profundamente a natureza essencial do Bitcoin.

Antes visto sobretudo como um instrumento especulativo de elevado risco, o Bitcoin passou a ser reconhecido formalmente por Estados soberanos como reserva de valor. Esta mudança de identidade é inédita, com implicações tanto simbólicas como práticas de grande relevo.

Chris Cooper, Vice-presidente de Investigação na Fidelity Digital Assets, assinala que esta alteração representa um novo paradigma para o mercado cripto.

Com a entrada de gestores de fundos tradicionais e grandes investidores no setor, o Bitcoin está a passar por uma transformação estrutural da procura—de ferramenta especulativa para retalho, evolui para ativo estratégico de instituições e países.

02 Motores Potenciados

O relatório da Fidelity sugere que o aparecimento de novos grupos de investidores poderá estar a impulsionar dois grandes motores por detrás do superciclo.

A adoção governamental está a expandir-se rapidamente. Segundo o relatório, muitos países já detêm alguma criptomoeda, mas poucos instituíram formalmente reservas em criptoativos.

Este cenário começou a mudar em 2025. Para além da ordem executiva dos EUA, o Quirguistão aprovou legislação em setembro para criar as suas próprias reservas em criptoativos, e o Congresso do Brasil está a analisar um projeto de lei que permitiria até 5 % das reservas internacionais serem detidas em Bitcoin.

Cooper explica este fenómeno através da "teoria dos jogos": à medida que mais países adicionam Bitcoin às suas reservas cambiais, outros sentem pressão competitiva e poderão seguir o exemplo.

A alocação empresarial está a acelerar. Mais de 100 empresas cotadas em bolsa adicionaram criptomoedas aos seus balanços, sendo que cerca de 50 controlam, em conjunto, mais de um milhão de Bitcoins. Esta acumulação contínua está a criar um nível de procura institucional sem precedentes no mercado.

03 O Ciclo de Quatro Anos Chegou ao Fim?

Historicamente, o Bitcoin seguiu um ciclo previsível de quatro anos: os picos de mercado altista ocorreram em novembro de 2013, dezembro de 2017 e novembro de 2021; os mínimos de mercado baixista registaram-se em janeiro de 2015, dezembro de 2018 e novembro de 2022.

Se este padrão se mantiver, poderemos estar próximos do fim do atual ciclo altista. A recente correção de preço parece condizente com o comportamento típico de final de ciclo.

No entanto, o relatório da Fidelity destaca que alterações fundamentais na procura estrutural—motivadas pela compra sustentada por Estados soberanos e empresas—podem estar a quebrar este ciclo. Alguns investidores acreditam que poderemos estar a entrar num superciclo contínuo.

Tal como o superciclo das matérias-primas nos anos 2000, que durou quase uma década, o mercado altista do Bitcoin poderá prolongar-se por vários anos, com correções menos acentuadas pelo caminho.

Cooper mantém-se cauteloso: "Estes ciclos não vão simplesmente desaparecer, porque as emoções de medo e ganância que os alimentam não se dissiparam por magia."

04 Correção de Superciclo ou Início de Mercado Baixista?

No início de 2026, o Bitcoin registou uma volatilidade significativa. A 13 de janeiro, o Bitcoin estava cotado a 91 886,68 $, abaixo dos máximos recentes. Este movimento de mercado gerou um amplo debate: trata-se de uma correção saudável dentro do superciclo, ou do início de um mercado baixista tradicional?

Cooper, da Fidelity, considera prematuro tirar conclusões: "Se o ciclo de quatro anos se repetir, já deveríamos ter atingido o pico histórico deste ciclo e entrado num mercado baixista pleno." Acrescenta que a confirmação real poderá apenas surgir mais tarde em 2026, quando a direção do mercado se tornar mais clara.

A volatilidade atual pode ser interpretada de duas formas: se a teoria do superciclo se confirmar, esta é uma retração normal num mercado altista; se prevalecerem os ciclos tradicionais, poderá ser o sinal do início de um mercado baixista.

Analistas de mercado referem que dados económicos robustos dos EUA têm adiado as expectativas de cortes nas taxas da Reserva Federal, o que impacta os ativos de risco—including as criptomoedas.

05 Deverá Entrar em Diferentes Horizontes Temporais?

O relatório da Fidelity apresenta orientações claras para diferentes perfis de investidores. Para quem procura ganhos a curto ou médio prazo (quatro a cinco anos ou menos), poderá ser prudente adotar cautela, sobretudo se o ciclo atual acabar por seguir os padrões históricos.

"Contudo, numa perspetiva verdadeiramente de longo prazo, acredito pessoalmente que, se encarar o Bitcoin como reserva de valor, nunca está fundamentalmente ‘demasiado tarde’."

Cooper sublinha que, enquanto o limite rígido de oferta do Bitcoin se mantiver, comprar Bitcoin significa converter o seu trabalho ou poupança em algo que não será desvalorizado pela inflação provocada pela política monetária dos governos.

Os dados de mercado da Gate Exchange mostram o Bitcoin atualmente a negociar acima de 92 000 $. Apesar da volatilidade, este valor permanece muito acima dos picos de ciclos anteriores.

Para investidores de longo prazo que ponderam alocação na Gate, a correção atual do mercado poderá representar uma oportunidade para reavaliar e construir posições de forma gradual.

Perspetivas Futuras

A 13 de janeiro, com o Bitcoin a negociar a 92 000 $ na Gate Exchange, os analistas da Fidelity acompanham atentamente cada movimento do mercado.

Nas paredes do gabinete de investigação da Fidelity Digital Assets está afixado um gráfico da evolução do preço do Bitcoin. Os marcadores distintos dos ciclos de quatro anos parecem estar a dar lugar a uma curva mais suave e duradoura.

Mais de cinquenta empresas já detêm mais de um milhão de Bitcoins, enquanto bancos centrais de países como o Brasil e o Quirguistão estão a inscrever reservas de Bitcoin na legislação. O consenso em torno do Bitcoin como reserva de valor está a expandir-se da comunidade cripto para as salas de reuniões globais e tesourarias nacionais. Desta vez, a força motriz do mercado poderá já não ser o FOMO do retalho, mas sim as estratégias de longo prazo da riqueza soberana.

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