Acabei de reparar numa coisa interessante que está a acontecer no MMA a nível argentino. A delegação de lutadores argentinos na UFC atingiu o seu ponto mais alto: seis contratos ativos com a organização. Mas o que realmente chama a atenção é que dois desses seis são mulheres, e elas são as que estão a transmitir uma mensagem muito forte sobre o que significa o género nas artes marciais mistas.



Falei com Sofía Montenegro e Ailín Pérez, as duas argentinas que atualmente competem na elite das artes marciais mistas na UFC. Ambas têm histórias que fazem repensar o que significa sacrifício e determinação. Sofía, apelidada de 'A Bruxa', superou problemas de peso, bullying e inseguranças. Ela mesma disse com uma clareza que impressiona: 'A pessoa que era antes, com excesso de peso, foi muito corajosa e trouxe-me até aqui.' A sua mensagem é direta: 'Ganhar e perder não estão nas nossas mãos, mas sempre que virem uma luta minha, quero que seja lendária.'

Por outro lado, está Ailín, a número 7 do ranking mundial na categoria peso galinha feminina. Fiona, como é conhecida, é tudo o oposto em termos de personalidade na televisão, mas igualmente séria quando fala do desporto. Ela vem de um bairro muito humilde e a sua mensagem para outras mulheres é contundente: 'Se eu consegui, todas podem.' Mas não o diz de forma ingênua. Sabe que o caminho é difícil, que requer preparação mental e física constante.

O que me surpreende é como ambas veem o futuro além das suas próprias carreiras. Ailín quer ter uma equipa de mulheres campeãs. Sofía levanta-se às 7 da manhã e sai do ginásio às 17 horas, vivendo apenas para treinar. Ambas entendem que as artes marciais mistas mudaram a sua vida, e querem que outras mulheres tenham essa oportunidade.

Antes delas, estava Silvana Gómez Juárez, 'A Malvada', que abriu a porta em 2018 como a primeira mulher argentina na UFC. Silvana foi clara em algo importante: o MMA não só ensina defesa, também fortalece a autoestima. Esse foi o seu legado.

Agora, o que ambas reconhecem é que isto requer investimento sério. Não é barato. Ailín foi direta: 'Gastei muito dinheiro em campamentos, mas foi um investimento. Se tiver que investir todo o meu dinheiro para ser campeã, vou fazê-lo porque ficará na minha alma para sempre.' Sofía vê de forma semelhante: o tempo e a energia são os custos mais altos, mas o investimento económico é fundamental.

O que é interessante é que cada vez mais mulheres se aventuram nas artes marciais mistas, tanto a nível amador como profissional. Ailín observa que, quando ela começou, só estava Silvana e havia muito pouca informação. Agora há mais lutadoras a chegar à UFC, e isso gera um efeito cascata: mais visibilidade, mais inspiração, mais concorrentes.

Este sábado, no Arena CDMX, haverá UFC Fight Night com 13 combates. Ailín estará na luta enfrentando Macy Chiasson. Sofía originalmente ia estrear, mas teve que adiar por um problema médico. De qualquer forma, o movimento é claro: as mulheres argentinas estão a fazer barulho na elite das artes marciais mistas, e a sua mensagem vai além de ganhar ou perder. É sobre abrir portas, mudar vidas e demonstrar que o sacrifício tem recompensa.
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