No mercado de criptomoedas surgiu um daqueles enigmas que nos lembram por que o Bitcoin foi criado por Satoshi Nakamoto exatamente como um projeto anónimo. Uma empresa pouco conhecida, a Laurore Ltd., de repente anunciou uma posição de 436 milhões de dólares em um ETF de Bitcoin, o iShares Bitcoin Trust da BlackRock, e isso provocou uma tempestade de especulações na comunidade cripto.



O fato é que por trás dessa posição está quase total anonimato. Através dos registros de Hong Kong, foi possível rastrear um diretor chamado Zhang Hui com passaporte da China continental, mas esse nome na China é tão comum que pode ser comparado ao nome John Smith no Ocidente. A CoinDesk até descobriu mais de uma centena de pessoas com esse nome, registradas como diretores de várias empresas em Hong Kong. Não surpreende que a comunidade cripto imediatamente começasse a imaginar quem estaria por trás dessa cortina.

Quando os jornalistas da CoinDesk visitaram o endereço indicado nos documentos, encontraram uma empresa completamente diferente — Avecamour Advice Ltd. A própria Laurore não está registrada em Hong Kong, sendo de propriedade de uma empresa das Ilhas Virgens Britânicas. As camadas da estrutura ficavam cada vez mais profundas, como uma matrioska russa, e cada camada só aumentava as perguntas.

Os analistas não esconderam o perplexidade. James Seffart, da Bloomberg, passou quase uma hora tentando entender esse esquema, mas não conseguiu compreender nada. Muitos começaram a supor que se tratava de uma saída de capitais da China continental, embora isso seja apenas especulação. A empresa poderia ser simplesmente um escritório familiar ou um fundo que decidiu investir em um ETF americano, onde há maior liquidez e menores taxas.

Após tentativas persistentes dos jornalistas de obter respostas, o representante da Laurore finalmente quebrou o silêncio. Ele afirmou que o proprietário prefere manter um perfil baixo, e que a posição no IBIT reflete apenas uma convicção pessoal de investimento. Nada mais. Nenhum detalhe, nenhum nome, nenhuma confirmação.

Assim, surge uma situação que, de certa forma, lembra a própria essência do Bitcoin. Satoshi Nakamoto — quem é ele — só o próprio Satoshi Nakamoto sabe. Assim como com esse investidor: sua identidade permanece tão misteriosa quanto a do criador da primeira criptomoeda. A única diferença é que o mundo todo conhece quem é Satoshi Nakamoto, e ninguém sabe quem é esse investidor.

Quando se trata dos beneficiários finais, grandes investidores frequentemente se escondem por meio de várias pessoas jurídicas. Pode ser uma estruturação para fins fiscais, armazenamento de ativos ou simplesmente um desejo de confidencialidade. E, como se trata de empresas privadas, elas têm o direito de não divulgar essas informações. As perguntas permanecem: quem é a Avecamour, qual a ligação entre as empresas, e como esse misterioso Zhang Hui se encaixa em toda essa história?

No final das contas, o mercado cripto está acostumado com o anonimato. Satoshi Nakamoto — quem é ele — nunca revelou, e o mundo aceitou isso. Talvez esse investidor de Hong Kong simplesmente siga a mesma filosofia — agir às sombras, permitindo que o mercado especule e construa teorias. O enigma permanece sem solução, e a posição de 436 milhões de dólares continua em silêncio, assim como seu proprietário.
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