A mineração de Bitcoin está atualmente numa situação muito difícil. Enquanto os mineiros produzem com um custo de aproximadamente 88.000 dólares, a moeda está a ser negociada a 71,81 mil. Esta diferença significa uma perda de cerca de 16 a 17 mil dólares por Bitcoin produzido. A queda de dificuldade nas últimas semanas foi de 7,76%, e isto não é apenas um número, mas revela a verdadeira crise do setor.



A origem do problema é clara: as tensões geopolíticas no Médio Oriente elevaram os preços do petróleo acima de 100 dólares. O encerramento de facto do Estreito de Hormuz e as ameaças de Trump às centrais energéticas do Irão elevaram os custos de eletricidade a níveis astronómicos. Entre 8% e 10% do hashrate mundial depende destas regiões, ou seja, a geografia afeta diretamente a economia da mineração.

A rede começou a corrigir-se, mas está atrasada em recuperar o preço. O hashrate caiu para 920 EH/s — bastante longe do recorde de 1 zetahash em 2025. Os tempos de bloco aumentaram para 12 minutos e 36 segundos, mais lentos do que os 10 minutos alvo. O preço por petahash por dia está em torno de 33,30 dólares — quase ao nível de equilíbrio para a maioria dos equipamentos. Quando os mineiros não conseguem cobrir os custos, o que fazem? Vender Bitcoin. Já há 43% de perdas na posse, com as baleias a distribuir e posições altamente alavancadas. Esta pressão adicional de venda é apenas uma parte do problema.

Grandes empresas de mineração começaram a adaptar-se. A Marathon Digital, Cipher Mining e outras estão a direcionar as operações de mineração para áreas de inteligência artificial e computação de alto desempenho. Por quê? Porque a receita proveniente de IA é muito mais previsível do que a mineração com prejuízo. Até a SpaceX possui 8.285 Bitcoin, avaliada em 603 milhões de dólares, na Coinbase Prime — as empresas estão a posicionar-se nesta fase.

A pressão de custos tem aumentado desde a queda de outubro, mas a situação do Irão acelerou este processo. Espera-se uma nova ajustagem de dificuldade no início de abril, e, segundo os dados do CoinWarz, também se prevê uma descida. Enquanto o Bitcoin ficar abaixo de 88.000 dólares, a saída de mineiros continuará. A rede, por design, corrige-se — à medida que os participantes saem, a mineração torna-se mais barata. Mas, nesse período, tanto os mineiros quanto o mercado spot, que cobre vendas obrigatórias, sofrerão. À medida que a adoção da blockchain aumenta, a dinâmica da economia de mineração também muda. Os atuais prejuízos de nove dígitos e os esforços de adaptação indicam que o setor está a passar por uma transformação.
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