O maior jogador no financiamento global entrou no palco com um passo que pode mudar o destino das organizações de moedas estáveis. A BlackRock solicitou, em uma carta de comentário abrangente de 17 páginas enviada ao Escritório de Supervisão de Moedas dos Estados Unidos (OCC), a remoção do limite proposto de 20% sobre os ativos de reserva tokenizados sob a lei GENIUS. Essa evolução não é apenas uma resposta de uma empresa para proteger seu produto; ela representa uma das batalhas mais fortes até agora das empresas para integrar ativos tokenizados no mundo real (RWAs) na espinha dorsal do sistema financeiro.


✨ proposta do OCC de 376 páginas e análise do limite de 20%
🔹Lembrete: a lei GENIUS, assinada pelo presidente Trump em 18 de julho de 2025, criou a primeira estrutura regulatória federal para moedas estáveis de pagamento. A lei, aprovada pelo Senado por esmagadora maioria de 68 a 30 e pela Câmara por 308 a 122, limita a emissão de moedas estáveis a entidades licenciadas federalmente chamadas "Fabricantes de Moedas Estáveis de Pagamento Licenciados" (PPSIs).
🔹Em 25 de fevereiro de 2026, o OCC publicou um rascunho de regra de 376 páginas para implementar essa lei. O rascunho foi publicado no Registro Federal em 2 de março, iniciando um período de comentários públicos de 60 dias. Uma das disposições mais controversas desse rascunho, que foi formulada por mais de 200 perguntas, foi a imposição de um limite de 20% sobre os ativos tokenizados que os PPSIs podem manter em suas reservas.
🔹Na sexta-feira, 2 de maio, último dia desse período de 60 dias, a BlackRock enviou uma carta de comentário de 17 páginas ao arquivo público do OCC.
✨ principal argumento da BlackRock: os riscos estão na origem, não na blockchain
🔹A declaração mais destacada na carta da BlackRock é a confirmação clara de que o limite proposto de 20% é "desnecessário" do ponto de vista dos objetivos regulatórios do OCC.
🔹A argumentação da empresa baseia-se na hipótese de que o perfil de risco do ativo de reserva é definido por métricas financeiras fundamentais, como qualidade de crédito, prazo e liquidez. Seja o ativo mantido em um registro distribuído ou em um livro-razão, o nível de risco não muda. Como a BlackRock afirma na carta: "Os perfis de risco dependem da qualidade de crédito, prazo e liquidez, e não de onde o ativo está mantido, seja em um registro distribuído ou transferido."
🔹Essa posição realmente defende um princípio mais profundo: as regulamentações devem focar nos riscos, não na tecnologia. Seja um título do Tesouro mantido em registros tradicionais ou na blockchain, ele carrega os mesmos riscos de crédito. Portanto, o quadro regulatório também deve ser unificado.
✨ fator BUIDL: fundo de tesouraria tokenizado no valor de 2,6 bilhões de dólares
🔹Para entender por que a BlackRock luta com tanta força, basta olhar para o tamanho do fundo BUIDL. Segundo dados de RWAs, o fundo de tesouraria tokenizado da BlackRock, BUIDL, atingiu cerca de 2,6 bilhões de dólares em ativos.
🔹O mais importante é a posição estratégica do fundo no sistema de moedas estáveis:
· Fornece mais de 90% das reservas para a moeda Ethereum estável USDtb.
· Cobre mais de 90% das reservas para a moeda Jupiter baseada em Solana JupUSD.
🔹O limite de 20% representa um gargalo que limitará diretamente a capacidade de expansão das reservas dos emissores de moedas estáveis federais. Atualmente, a USYC da Circle lidera o espaço de reservas tokenizadas com 2,9 bilhões de dólares em ativos, e o quadro regulatório será um fator decisivo nessa competição.
🔹Outro exemplo do compromisso da BlackRock nesse campo é a conversão de seu fundo de liquidez baseado em tesouraria (BSTBL) em um produto compatível com a lei GENIUS no mês passado, projetado especificamente para atender às reservas de moedas estáveis.
✨Outros pontos importantes na carta
🔹As solicitações da BlackRock ao OCC não se limitam à remoção do limite de 20%. Outros pontos destacados na carta incluem:
🔹Reconhecimento dos fundos ETF como ativos de reserva: a BlackRock solicita esclarecimentos sobre se os fundos ETF de tesouraria que investem apenas em ativos de reserva qualificados são considerados ativos de reserva sob a seção 4 da lei GENIUS. Argumenta que esses fundos devem receber o mesmo tratamento seguro que os fundos do mercado monetário governamentais.
🔹 🔹Títulos do Tesouro de taxa variável de dois anos: devido à sua característica de reajuste semanal de cupom e preço limitado à volatilidade, a BlackRock recomenda incluir títulos do Tesouro de taxa variável dos EUA com até dois anos de maturidade na lista de ativos de reserva qualificados.
🔹Apoio e ajuste à Opção A: a BlackRock apoia a Opção A, uma das duas opções oferecidas pelo OCC para diversificar as reservas, que combina um padrão baseado em princípios com um refúgio seguro quantitativo opcional. Em contrapartida, ela aponta que a Opção B, que impõe requisitos rigorosos diários, como limite de concentração de uma única instituição de 40% e limite máximo de 20 dias de vencimento médio ponderado, carece de flexibilidade.
🔹Processo de aprovação mais transparente: a BlackRock solicita a criação de um processo de avaliação oficial e transparente para as novas ferramentas que serão adicionadas à lista de ativos de reserva qualificados no futuro.
✨ cronograma crítico e processo de formulação de regras simultâneas para a lei GENIUS
🔹O cronograma de implementação da lei GENIUS avança rapidamente. De acordo com a lei, as autoridades reguladoras como OCC, FDIC, o Departamento do Tesouro (FinCEN e OFAC) e o Federal Reserve devem publicar suas regras finais de implementação até 18 de julho de 2026. A data de entrada em vigor da lei é 18 de janeiro de 2027, ou 120 dias após a publicação das regras finais.
🔹Nos últimos meses, houve um aumento notável na atividade regulatória. Em 8 de abril, o FinCEN e o OFAC publicaram uma proposta de regra conjunta que integra os PPSIs no quadro de combate à lavagem de dinheiro e conformidade na implementação. Em abril, o FDIC apresentou duas propostas de regras separadas relacionadas às licenças, padrões de relatórios e auditoria.
🔹Essa estrutura regulatória de múltiplas camadas determinará a estrutura futura do mercado de moedas estáveis. A carta da BlackRock está no centro desse processo decisivo.
✨ expansão global do BUIDL: parceria entre Exchance e Standard Chartered
🔹O envolvimento ativo da BlackRock na defesa do OCC acompanha o impulso que o BUIDL está ganhando globalmente. Anunciado em 29 de abril, o acordo entre Exchance, BlackRock e Standard Chartered é a primeira estrutura regulatória global importante (G-SIB) a integrar o BUIDL no fluxo de garantias corporativas.
🔹Sob esse quadro, clientes VIP e instituições da Exchance podem manter o BUIDL como garantia fora da bolsa na custódia organizada do Standard Chartered, com negociação simultânea na Exchance. O BUIDL também pode ser usado como garantia na plataforma, gerando retorno.
🔹Como disse Samara Cohen, chefe de desenvolvimento de mercado global na BlackRock: "O BUIDL foi projetado para trazer os benefícios da tokenização do risco de tesouraria de curto prazo para investidores qualificados na rede blockchain."
✨ importância e possíveis impactos nos mercados
🔹A resposta do OCC ao pedido da BlackRock é uma das variáveis mais importantes que determinarão o futuro do mercado de RWAs tokenizados. Se o pedido for aceito:
🔹Primeiro resultado: fundos tokenizados como BUIDL podem se tornar componentes padrão na estrutura de reserva de moedas estáveis emitidas por bancos. Isso pode levar a um crescimento massivo no mercado de tesouraria tokenizada.
🔹Segundo resultado: a adoção de uma abordagem baseada em princípios da BlackRock pode estabelecer um precedente para regulações futuras "que visam riscos, não tecnologia."
🔹Terceiro resultado: o reconhecimento de fundos ETF como ativos de reserva pode transformar a composição das reservas de moedas estáveis de fundos do mercado monetário soberanos para ETFs.
🔹Por outro lado, no cenário de manutenção do limite de 20%, os ativos tokenizados nas reservas de moedas estáveis permanecerão como um complemento limitado, e produtos como o BUIDL precisarão buscar caminhos alternativos de crescimento.
🔹Espera-se que o processo de tomada de decisão seja esclarecido nos próximos meses. Até agora, a única coisa certa é que o maior gestor de ativos do mundo não aceitará esse desafio silenciosamente.
✨Regulação prudente não é quando a tecnologia é restringida, mas quando ela é realmente reconhecida pelos riscos. Capital inteligente prospera com regras que compreendem, para#$H
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