A versão mais recente do projeto de lei sobre criptomoedas, Clarity Act, está em destaque principalmente por causa das suas regras sobre stablecoins. Na prática, poderá ter o maior impacto sobre a finança descentralizada (DeFi) e os tokens associados, de acordo com um relatório da 10x Research.
No centro da proposta está uma proibição de oferecer rendimento — ou qualquer coisa semelhante, como recompensas — sobre os saldos de stablecoins. Isso efetivamente acaba com a ideia de stablecoins como produtos de poupança on-chain e redefine-as como meras infraestruturas de pagamento.
“Isto representa uma clara re-centralização de rendimento,” escreveu Markus Thielen, fundador da 10xResearch. Isso porque a proposta retira o rendimento para bancos, fundos de mercado monetário e wrappers regulamentados, deixando as plataformas nativas de cripto com menos espaço para competir em retornos.
Essa mudança também pode afetar a DeFi, apesar das esperanças iniciais de que poderia beneficiar.
A lógica era que, se as plataformas centralizadas não conseguem oferecer rendimento, os usuários se moveriam para on-chain, disse Thielen.
Mas isso assume que a DeFi escapa às mesmas regras. Na prática, o quadro do Clarity provavelmente se estenderá às interfaces front-end e modelos de token, especialmente onde a geração de taxas ou a governança começa a assemelhar-se a equidade, acrescentou.
Isso coloca uma ampla gama do setor em foco. As trocas descentralizadas, como Uniswap (UNI), SUSHI$0.1896 e dYdX (DYDX), assim como protocolos de empréstimo, como Aave (AAVE)$95.69 e Compound (COMP)$18.29, poderão enfrentar restrições mais rigorosas sobre como operam e distribuem valor, argumentou o relatório. O resultado poderá ser volumes mais baixos, liquidez reduzida e menor demanda por tokens.
Por outro lado, a regulação proposta é “estruturalmente otimista” para jogadores de infraestrutura como a Circle (CRCL), uma vez que incorpora stablecoins mais profundamente nas infraestruturas de pagamento, disse Thielen.