Mercado de criptomoedas regulamentado, as 8 principais organizações traçam a nova ordem para 2026

O mercado de criptomoedas está a atingir um ponto de viragem fundamental em 2026. De uma era anteriormente caótica, semelhante ao “Velho Oeste”, a uma fase de maior regulação, transformando-se numa “nova filial de Wall Street”. Os relatórios mais recentes de oito principais entidades — Fidelity, Bitwise, Grayscale, entre outros — refletem detalhadamente esta mudança histórica.

Até agora, o mercado tinha-se centrado na mecânica de redução pela metade do Bitcoin, com ciclos de variação periódica. Contudo, com a entrada massiva de investidores institucionais, estamos a entrar numa nova paradigma. Países soberanos como o Brasil e o Quirguistão estão a avançar na legalização de ativos digitais, enquanto instituições tradicionais de gestão de ativos entram no mercado. Assim, a antiga teoria dos ciclos de quatro anos já atingiu o seu limite.

O Fim do Ciclo de Quatro Anos e a Transição para a Era Institucional

As teorias que dominaram o mercado durante anos estão a ser desafiadas. A ideia de que o ciclo de mercado do Bitcoin é impulsionado pela redução pela metade de quatro em quatro anos — considerada uma regra inquestionável — está a ser, coletivamente, considerada como inválida na perspetiva de 2026.

Bitwise, Fidelity e Grayscale concordam: a influência da halving no mercado está a diminuir de forma limitada. A 21Shares foi ainda mais longe, afirmando que “o ciclo de quatro anos do Bitcoin foi destruído”. Segundo o seu modelo de dados, a introdução de ETFs mudou fundamentalmente a estrutura de demanda, com o impulso do mercado a passar de um lado da oferta (mineração) para o lado da procura (investidores institucionais a manter posições contínuas).

Quando clientes como BlackRock e Fidelity começam a manter posições de BTC de forma contínua trimestralmente, a narrativa do ciclo de quatro anos perde atratividade. Simultaneamente, esta mudança estrutural leva a uma maturidade dos ativos.

A previsão audaciosa da Bitwise é que, até 2026, a volatilidade do Bitcoin será pela primeira vez inferior à de Nvidia. Isto não é apenas uma questão de números: indica uma evolução qualitativa do Bitcoin, de uma “ação tecnológica de alta beta” para um “ativo de cobertura de risco maduro”.

A Fidelity, embora sem fornecer números específicos, destaca que, num contexto de expansão da dívida global e de depreciação do valor das moedas fiduciárias, o Bitcoin irá desvincular-se da correlação com ações tecnológicas, consolidando-se como uma proteção contra a inflação global.

Stablecoins, Pagamentos com IA e Fluxos de Capital na Nova Regulação

Após eliminar interferências cíclicas, os fluxos de capital de alta confiança que os institucionais observam, embora com detalhes diferentes, seguem uma lógica comum.

Se o Bitcoin é a “ouro digital”, as stablecoins representam o “dólar digital”. Muitas entidades veem-nas como uma evolução de ativos que não estão confinados ao universo cripto, mas que desafiam diretamente os canais financeiros tradicionais.

Segundo a 21Shares, a capitalização total das stablecoins deverá ultrapassar os 1 bilião de dólares em 2026. A Galaxy Digital reforça esta previsão, indicando que o volume de transações em stablecoins na cadeia ultrapassará oficialmente o volume de transações na rede do sistema de compensação automatizado dos EUA (ACH). Isto significa que as stablecoins estão a substituir os sistemas tradicionais de liquidação bancária, tornando-se uma via de transferência de fundos mais eficiente e rápida.

A Coinbase prevê que, até 2028, a capitalização das stablecoins atingirá 1,2 biliões de dólares, enquanto a a16z destaca que as stablecoins estão a evoluir para se tornarem a “camada de pagamento fundamental da internet”.

Porém, uma área de maior atenção é o pagamento via IA. Este é um dos principais tópicos destacados tanto pela Coinbase como pela a16z, cada uma com uma perspetiva diferente, mas complementares.

A Coinbase foca no padrão Agentic Payments Protocol (AP2) da Google. O seu protocolo x402 funciona como uma extensão de pagamento nesta nova norma, permitindo que agentes de IA realizem microtransações instantâneas através do protocolo HTTP, abrindo assim um ciclo de negócios fechado entre IA.

Por outro lado, a a16z propõe o conceito de “KYA” (Know Your Agent). Observam que, atualmente, cerca de 96% das transações na cadeia são efetuadas por entidades não humanas, indicando uma evolução do KYC (Conheça o Seu Cliente) para o KYA. Os agentes de IA podem possuir carteiras de criptomoedas, mesmo sem contas bancárias, e continuam a comprar dados, poder computacional e armazenamento através de microtransações 24/7.

O mercado de previsões também é uma área de consenso entre as entidades. A Bitwise prevê que o open interest dos mercados de previsão descentralizados atingirá níveis históricos, tornando-se uma fonte de “verdade” paralela à dos meios de comunicação tradicionais. A 21Shares estima que o volume de negociações anuais nestes mercados ultrapassará os 100 mil milhões de dólares.

A Coinbase tem uma perspetiva particular: com a nova legislação fiscal nos EUA a limitar as deduções de perdas de jogos de azar, os utilizadores podem, inadvertidamente, ser atraídos para os mercados de previsão. Isto porque estes podem ser classificados como derivados para fins fiscais, não sendo considerados jogos de azar, permitindo assim benefícios fiscais.

Divergências na Concordância Institucional: Liquidação DAT, Ameaças Quânticas, Eliminação de L2

A concordância muitas vezes reflete-se no preço, e as divergências podem gerar excedentes de retorno (Alpha) e riscos potenciais.

A visão sobre o modelo de “tesouraria de ativos digitais” (DAT), iniciado pela MicroStrategy, divide-se em duas correntes.

Os “grandes defensores” da liquidação massiva, Galaxy Digital e Grayscale, concordam que o total de ativos DAT pode atingir 2500 mil milhões de dólares, mas alertam que apenas alguns sobreviverão. Empresas menores de DAT, se negociarem abaixo do seu valor patrimonial líquido (NAV) a longo prazo, poderão ser forçadas a liquidar.

A Galaxy Digital é mais específica: prevê que pelo menos cinco empresas de DAT irão vender ativos, ser adquiridas ou falir até 2026. A sua previsão é que, com a imitação indiscriminada de 2025, muitas empresas sem estratégia de capital irão entrar no mercado, levando a uma “fase de liquidação” em 2026.

Por outro lado, a Grayscale mantém uma perspetiva mais cautelosa, considerando que, embora o volume de mídia sobre DAT seja elevado, a perda de padrões contabilísticos e de prémios de mercado limitará a sua influência na formação de preços em 2026.

Quanto às ameaças quânticas, há opiniões divergentes. A Coinbase alerta para a necessidade de iniciar imediatamente a transição para algoritmos de assinatura resistentes a quânticos, incluindo a adoção de padrões pós-quânticos, como uma medida de segurança fundamental da infraestrutura.

A Grayscale, por sua vez, considera a ameaça quântica como uma “red flag” e acredita que, no ciclo de investimento de 2026, a possibilidade de computadores quânticos decifrarem criptografia de curva elíptica é zero. Assim, os investidores não terão de pagar um “prémio de medo”.

A “grande liquidação” de L2 (Layer 2) é uma das observações mais agudas da 21Shares. A entidade prevê que a maioria das redes L2 do Ethereum não ultrapassará 2026, caindo numa espécie de “cadeia zumbi”.

A razão é simples, mas poderosa: há um efeito de massa forte na liquidez e nos recursos de desenvolvimento, que tende a concentrar-se nas principais redes (Base, Arbitrum, Optimism) e em blockchains de alto desempenho (como Solana). A Galaxy Digital prevê que a relação entre receitas da camada de aplicações e da camada de rede L1/L2 duplicará até 2026, apoiando a teoria do “fato de valor”. O valor está a migrar da infraestrutura para aplicações super-ativas com utilizadores reais.

Oportunidades Ignoradas: Privacidade, ICOs Regulamentados e Ações Cripto

Para além das perspetivas principais, algumas entidades apresentam previsões menos convencionais.

A Galaxy Digital e a Grayscale apostam ambas na crescente importância da privacidade, prevendo que a capitalização total de tokens de privacidade ultrapassará os 100 mil milhões de dólares. Referenciam o ressurgimento do Zcash (ZEC) e a reavaliação da privacidade como ferramenta de combate ao crime, passando a ser considerada uma necessidade institucional (Privacidade como Serviço).

A 21Shares prevê que, com a implementação de quadros regulatórios, os “ICOs regulados” voltarão a ser uma forma legal de captação de fundos no mercado de capitais. Com a aprovação de legislação clara nos EUA, modelos de ICO anteriormente proibidos poderão renascer sob um quadro regulatório.

A Bitwise prevê que ações relacionadas com criptoativos (empresas de mineração, Coinbase, Galaxy Digital) terão um desempenho superior às “Magnificent 7” tradicionais da tecnologia.

Estratégia de Investimento para 2026: Sobrevivência no Ambiente Regulatório

Ao consolidar as perspetivas das oito entidades principais, fica claro que a lógica do mercado em 2026 mudou radicalmente. A simples estratégia de “esperar pelo halving de olhos fechados” ficou para trás.

Num ambiente de crescente regulação, as estratégias de sobrevivência dos investidores concentram-se em três dimensões:

Primeiro, aceitar os líderes e os fluxos de receita reais. Com a forte seleção e eliminação de L2 e DAT, a liquidez e a estrutura de capital tornam-se indicadores de sobrevivência. Focar em protocolos que gerem fluxo de caixa positivo.

Segundo, compreender a atualização da infraestrutura tecnológica. Desde o padrão AP2 da Google até ao conceito KYA, as novas tecnologias oferecem novas oportunidades de Alpha. Priorizar a implementação de novos protocolos, como o x402.

Terceiro, estar atento a narrativas falsas. Os atores institucionais veem tanto oportunidades douradas como “red flags”. Saber distinguir o que é uma tendência de longo prazo (como a substituição do ACH pelas stablecoins) do que é uma especulação de curto prazo será a chave para o sucesso em 2026 sob regulação.

(Este artigo reflete análises baseadas em múltiplos relatórios institucionais e não constitui aconselhamento de investimento.)

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