Trump: Depois do Irã, o próximo é Cuba

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Escrito: Conflux

«Depois do Irão, o próximo é Cuba.»

No dia 30 de março deste ano, com esta declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, um país economicamente há muito situado na margem foi novamente empurrado para o centro da atenção global.

Se esta frase fosse apenas interpretada como retórica política, poderia subestimar-se a sua importância. O que merece mais atenção é que, antes de surgirem afirmações deste tipo, o mercado já tinha começado a «preçificar a incerteza».

Meados de março, numa plataforma de previsão descentralizada, três contas criaram posições quase ao mesmo tempo, apostando em «que os EUA invadirão Cuba em 2026», com um montante total de cerca de 60 mil dólares.

Este tipo de comportamento, por si só, não aponta para um resultado certo, mas reflete uma mudança: Cuba está a regressar ao sistema de pricing de risco, de novo, depois de ter sido durante muito tempo um factor ignorado.

O pano de fundo desta mudança é o aperto contínuo do ambiente real.

No início de 2026, os EUA reforçaram ainda mais as restrições à energia e ao comércio com Cuba. A 30 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva, declarando estado de emergência nacional, e aplicou tarifas aos países que fornecem petróleo a Cuba.

O resultado direto foi que Cuba enfrentou escassez de combustíveis e cortes generalizados de energia, com pressão simultânea sobre a operação económica e o ambiente social. E, num cenário deste tipo, o que tende a mudar primeiro não é a produção, mas sim um problema mais básico: o dinheiro continua ou não a conseguir circular sem dificuldades.

O mercado cripto de Cuba está a formar-se progressivamente precisamente sob este problema.

Em 2020, quando a Western Union encerrou o canal de transferências dos EUA para Cuba, uma cadeia de fundos transfronteiriços que era originalmente estável foi interrompida. Muitas famílias que dependiam fortemente de remessas do estrangeiro foram forçadas a procurar caminhos alternativos.

Neste contexto, incluindo os criptoativos, como o Bitcoin, começaram a assumir a função de transferir parte do valor através de fronteiras. As características desta fase são claras: a procura vem antes da regulação, o uso vem antes da instituição.

Em seguida, o Banco Central de Cuba introduziu, em 2021, um quadro regulamentar relacionado com ativos virtuais, implementando gestão de licenciamento para prestadores de serviços de ativos virtuais e reconhecendo o seu uso dentro de um âmbito específico. Isto não significa que os criptoativos tenham sido integrados no sistema financeiro tradicional; em vez disso, criou-se um modelo mais próximo de uma «gestão de fronteiras» — por um lado, permite a existência, mas por outro, enfatiza o isolamento do risco.

Este arranjo institucional levou o mercado cripto de uma fase de «comportamentos espontâneos» para uma fase de «observável e gerível».

Por volta de 2022, com a continuação do ambiente de sanções, Cuba começou a discutir com países como a Rússia caminhos alternativos de liquidação; os criptoativos foram integrados no quadro de discussões sobre pagamentos transfronteiriços. Nessa altura, o seu papel já não era apenas um «instrumento complementar a nível individual», mas sim uma «opção potencial de liquidação».

Se fizermos uma observação global de 2020 a 2026, podemos ver uma lógica evolutiva relativamente clara:

Quando os canais de pagamento tradicionais se contraem, as criptomoedas surgem primeiro como caminho alternativo;

Quando este caminho alternativo é usado repetidamente, ele começa a entrar na mira da regulação;

Quando as limitações externas continuam a existir, ele é ainda mais incorporado em discussões mais amplas sobre pagamentos e liquidações.

No nível de utilização, as criptomoedas já estão integradas em vários cenários em Cuba.

Por um lado, são usadas para remessas transfronteiriças e transferência de valor. Os dados mostram que já existem mais de 100 mil utilizadores em Cuba que usam Bitcoin e outros criptoativos; plataformas como BitRemesas e QvaPay servem esta necessidade há muito tempo.

Por outro lado, também começaram a entrar num ambiente empresarial mais formal.

A 23 de março de 2026, o Banco Central de Cuba autorizou pela primeira vez dez empresas a usar ativos virtuais para operações comerciais transfronteiriças, permitindo que, no âmbito das licenças, realizem compras, transferências e custódia, e divulguem as informações das transações de forma trimestral.

Isto significa que o papel dos criptoativos está a alargar-se de «instrumento complementar» para «instrumento dentro de uma estrutura institucional».

Se colocarmos Cuba num quadro mais amplo, esta evolução não é um caso isolado.

Economias sujeitas a sanções, como o Irão, também estão a explorar caminhos alternativos de pagamento, incluindo cripto-moedas. A diferença é que cada país, de acordo com os seus próprios recursos e condições de restrição, forma diferentes modos de utilização.

O caminho de Cuba está mais concentrado no pagamento e na circulação, e não na produção ou na monetização de recursos.

Voltando à questão inicial: por que razão o mercado começou a agir antes da declaração de Trump?

A causa essencial é que, quando a incerteza aumenta, o mercado não só reavalia a probabilidade do próprio evento, como também avalia em simultâneo uma variável mais básica: será que os caminhos de circulação de fundos irão mudar?

No contexto de Cuba, as criptomoedas são precisamente parte desses caminhos.

Da interrupção das remessas, à criação da regulação, até à entrada em uso comercial, o mercado cripto de Cuba não é resultado de uma única vaga tecnológica, mas sim de um caminho que se foi formando gradualmente sob restrições reais.

E, à medida que o ambiente externo continua a mudar, este caminho em si continua também a ser ajustado continuamente.

* Este artigo é apenas para fins de referência e não constitui qualquer recomendação de investimento. O mercado envolve riscos; o investimento exige cautela.

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