Honestamente, por muito tempo não percebi qual é, afinal, o sentido do p2p e por que é que as pessoas vão lá. Acontece que é simplesmente a negociação de cripto entre pessoas diretamente, sem intermediários e sem as comissões deles. Parece simples, mas funciona de uma forma mais interessante do que à primeira vista.



Aqui está o que me agradou na negociação p2p: tu controlas totalmente o preço, o tempo de liquidação e com quem vais negociar. Não como nas bolsas tradicionais, onde os algoritmos decidem sozinhos quando é que tu deves comprar e vender. Aqui és o rei — queres vender mais caro, vendes mais caro; queres esperar, esperas.

Como é que isto funciona tecnicamente? A plataforma atua como intermediária, mas não no sentido de cobrar comissões. Ela apenas liga compradores a vendedores, como o Avito, mas para cripto. A principal diferença é que se usa escrow. A tua cripto fica bloqueada no sistema até que as duas partes confirmem a transação. Se o vendedor recebeu o dinheiro, mas não enviou nada — o sistema não vai libertar a cripto. Se houver disputa, podes apresentar uma apelação e resolver com o suporte.

Os pontos positivos são óbvios. Em primeiro lugar, podes negociar com pessoas de todo o mundo em minutos. Em segundo lugar, há imensas formas de pagamento — desde transferências bancárias até dinheiro em mãos no encontro. Em terceiro lugar, muitas vezes as comissões são nulas para os compradores. Além disso, existe um sistema de classificações e avaliações, por isso dá para ver com quem é que estás a lidar.

Há também desvantagens. Em primeiro lugar, é mais lento do que uma bolsa normal. Se uma das partes for ficando para trás, toda a transação fica parada. Em segundo lugar, a liquidez é menor. Se quiseres vender um grande volume de uma só vez, pode ser um problema. Para transações grandes, é melhor OTC ou uma bolsa normal.

E como é que dá para ganhar com isto — essa é a parte interessante. Dá para fazer arbitragem entre moedas fiduciárias. Por exemplo, o bitcoin fica mais barato em dólares do que em euros. Tu compras em dólares, vendes em euros — e o lucro aparece. O principal é calcular a diferença de preço antes de comprares; caso contrário, podes acabar no negativo.

A segunda forma é arbitragem entre plataformas diferentes. Numa bolsa, o bitcoin está a 21 000; na outra, a 21 100. Compras mais barato, vendes mais caro, e ganhas 100 dólares por moeda. Parece simples, mas aqui há um senão — as taxas de câmbio mudam rapidamente e, enquanto estás a transferir a cripto de uma bolsa para outra, o preço pode cair. Além disso, há comissões pelas transferências.

A terceira opção é simplesmente colocares um anúncio. Queres comprar bitcoin por 20 000? Colocas um anúncio. Queres vender por 20 200? Colocas outro. Quando alguém aceitar o teu preço, a transação começa. Se calculaste bem o spread, ganhas a diferença.

Em termos de segurança, o p2p não é tão assustador como eu pensava antes. Sim, houve problemas com roubos e fraude, mas as plataformas modernas melhoraram bastante a proteção. O escrow funciona, a verificação de identidade é rigorosa e há atualizações regulares do sistema de segurança. Mas mesmo assim — qualquer negociação tem risco, e o p2p não é exceção.

No geral, se estás disposto a transações mais lentas, mas queres controlo total sobre o preço e as condições, então o p2p é a tua opção. Dá para ganhar com arbitragem, ou simplesmente negociar de forma mais conveniente. O mais importante é veres com mais atenção as classificações dos teus contrapartes e não te apressares com volumes grandes.
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